Uncategorized

Instinto

Nós, seres humanos, temos instintos muitas vezes imediatistas. Sempre que algo nos sacode de alguma forma, seja uma perda, um término, uma decepção ou uma mudança brusca, temos a tendência a tomar medidas imediatas pra solucionar qualquer sentimento ou sensação que estiver nos incomodando. Achamos que precisamos sair do lugar naquele momento, estamos cansados de pensar, refletir e considerar tantas coisas.

A questão é que não percebemos que o imediatismo nos leva a uma agitação maior ainda, além de não organizar a nossa bagunça, nos faz agregar uma nova à anterior, aumentando a sensação de desorientação, nos deixando cada vez mais perdidos. Tudo isso ocorre por algo simples: Ninguém gosta de sentir coisas ruins como tristeza, decepção, raiva ou angústia, sendo assim, queremos dar um jeito de nos obrigar a parar de sentir tudo isso imediatamente, nos envolvemos então em um estado de inquietude, nos cobrando uma postura pra agora, nos fazendo perder a calma em busca de uma solução.

O problema dessa teoria é que ela quase sempre não funciona. Se já estamos uma bagunça, obviamente precisamos de calma, se já estamos perdidos, obviamente precisamos nos encontrar. No entanto, a jornada para o autoconhecimento não é fabricada, ela acontece assim que aprendemos a permitir que ela se inicie. Se estamos de repente estamos sozinhos, a resposta nem sempre é encontrar outra pessoa, se perdemos alguém que amamos, a resposta nem sempre é tentar não sentir falta, se perdemos algo que tinha grande importância para nós, a resposta nem sempre é imediatamente tentar conseguir outra coisa para tomar seu lugar.

Coisas e pessoas vêm e vão por algum motivo, mas elas podem ocupar um vazio, ou apenas ser um anexo em nossas vidas, e a partir daqui já não me refiro aos parentes que se vão deste plano. A partir daqui me refiro à nossa incapacidade de adaptação às mudanças, já que sempre que algo vai, em vez de fecharmos aquele vazio, procuramos preenchê-lo com outra coisa. Veja, talvez seja melhor em vez de agir, ficar em espera, meditar sobre o que aconteceu, entender o que sente, se perdoar, perdoar o outro e fazer as pazes com o ocorrido, talvez depois disso seja possível refletir com mais clareza, talvez depois disso seja possível saber exatamente qual atitude tomar para seguir em frente.

Em vez de tentar mudar o que sente, abrace isso, entenda-se, ‘conhece-te a ti mesmo’, como disse Sócrates. Muitas vezes não sabemos lidar com as decepções porque pulamos a parte em que deveríamos entender o que sentimos, quando resolvemos mergulhar na próxima história.

Não procure o próximo passo, deixe ele vir até você.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s